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KISS: POR TRÁS DA MÁSCARA - DAVID LEAF E KEN SHARP
 Chegou às livrarias brasileiras, no fim de 2006, a biografia oficial autorizada “Kiss: Por Trás da Máscara”, contando toda a história da banda americana desde a sua criação, antes mesmo de ter o nome definitivo, passando por mais de três décadas de história e chegando ao reencontro em 1996, com “Psycho Circus”. Mas o livro, lançado pela Companhia Editora Nacional, não se apresenta como uma biografia tradicional, principalmente quando levado em conta o formato usado pelos autores David Leaf e Ken Sharp. Isto porque a maior parte da obra, traduzida por Áurea Arata e Marina Garcia, consiste em depoimentos das pessoas envolvidas. E só. Para explicar melhor, o livro quase todo é apresentado entre aspas e com poucas narrações dos autores. Isso pode ter um efeito positivo, já que as frases são das pessoas envolvidas na história da banda (músicos, produtores, executivos de gravadora) e ninguém tem maior credibilidade que elas neste caso. Porém, esse “desaparecimento” dos autores prejudica na medida em que o livro poderia fluir com maior facilidade. Eles teriam a chance de ditar o ritmo do texto e evitar informações repetidas que vão aparecendo no decorrer da leitura. Mas vamos à biografia propriamente dita. “Kiss: Por Trás da Máscara” é uma mistura de dois momentos diferentes, relacionados ao momento em que cada autor fez sua pesquisa. O primeiro foi David Leaf – um escritor e produtor de TV, que fez a biografia oficial dos Bee Gees –, responsável pelo primeiro terço do livro. Em 1979, ele teve uma série de encontros com os músicos do KISS com o objetivo de produzir uma biografia. Mas o resultado nunca havia saído do papel até que, em 1990, Ken Sharp, um músico reconhecido por saber tudo sobre a banda, ficou sabendo de sua existência e sugeriu que ambos concluíssem o livro. Sharp, então, levantou informações por meio de entrevistas e, treze anos depois, o trabalho estava pronto. Como não podia deixar de ser, Leaf conta detalhadamente os primeiros passos do Kiss, bem antes de a banda explodir no cenário norte-americano e mundial e se tornar uma das maiores do mundo.
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"É SÓ CURTIR" - A BOLHA (Som Livre)

O rock setentista tem sido responsável pelos mais lastimáveis "revivals" dos últimos anos, do que são exemplos "zumbis" de Credence Clearwater Revival, Deep Purple ou mesmo The Doors, que perambulam pelas periferias do primeiro (?) mundo. Um pouco, talvez, pela linguagem do "hard rock", que tornou-se mais "datada" do que qualquer outro estilo do rock mais moderno. Daí, quando se falou na "volta" da lendária Bolha, a cavaleiro do filme "1972", de José Emílio Rondeau e Ana Maria Bahiana, imaginou-se que o fenômeno poderia acabar se repetindo em terras tupiniquins. Mas, diferente disso, em 'É só Curtir', a "velha" Bolha manteve acesa o seu espírito inovador original, que fez da banda uma das mais importantes do rock brasileiro de todos os tempos. O quarteto – Renato Ladeira, Pedro Lima, Arnaldo Brandão e Gustavo Schroeter – produziu um disco atual, com timbragens modernas, mas fiel à sonoridade original da banda, dona de uma profunda identidade à sua época. Uma operação difícil, mas que, ao final faz justiça à trajetória da banda que deixou os palcos em meados dos anos setenta, depois de dois discos gravados e alguns singles. Mas, o mais importante de 'É Só Curtir' é o resgate de um rico repertório que, ou nunca foi registrado em disco, ou ficou perdido em singles, como a rara e genial 'Sem Nada', lançada em compacto, em 1971. Canções inéditas como 'É Só Curtir', 'Não Sei' e 'Cecília', entre outras, que fizeram parte da vida da banda e fãs em memoráveis shows, agora ganham vida, perenidade. Pelas mãos do quarteto, formado por quatro músicos talentosos e experientes, as músicas ganharam "atualidade", sem no entanto perder o espírito original – algo difícil de se alcançar. O resultado final, portanto, é um disco que, tirando a desnecessária e deslocada 'Você Me Acende', pode ser ouvido entre um Wolfmother e um Cream reativado. E que dá até vontade de "curtir" um show da banda por ai...
* Fernando Rosa é editor de Senhor F
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A banda carioca Rockz (pronuncia-se "rockz" mesmo, e não "roque zê", como muita gente fala - e nada a ver com "Rocks", música do Caetano) aparece com ares de supergrupo. E é mesmo, já que seus integrantes têm passagens por montes de grupos cariocas de grande importância, como Funk Fuckers, Seletores de Frequência, A FIlial, Planet Hemp, Benflos, etc. Para completar, o marketing é dos melhores - site bacana, release assinado por Silvio Essinger, assessoria de imprensa ligada ao Circo Voador, etc. A armação (no bom sentido) é bem feita, com músicas que atingem uma espécie de vácuo no rock carioca: um som que chega perto do new rock, dançante, de bandas como Bloc Party, Strokes, Killers e outras, mas com guitarras pesadas e letras bem feitas e vivas.
Vivas no sentido de que não há muito do esquema "quero-ser-Los-Hermanos" por aqui. Tem é o papo noturno de músicas como "Essa mulher", a indecisão amorosa de "Relacionamento saudável" ("desses que a gente não dá valor/pois falta sal", mas com direito a uma virada de mesa no final) e riffs pesados como um Queen of The Stone Age e dançantes como um New Order em faixas como "Nunca me diverti tanto" e "Colorbar". O melhor, no entanto, nem está no EP Rockz, vendido em shows e banquinhas de festivais por módicos 5 reais. No site da banda, por onde é possível baixar todas as músicas do EP, tem duas pérolas irresistíveis, lançadas já este ano: "Playback" e "Ora, bolas!". Ouça aí, vá na parte de downloads em www.rockz.com.br e me faça economizar palavras.
Fonte: Discoteca Básica / Escrito por Ricardo Schott
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"WOOD & STOCK - SEXO, ORÉGANO E ROCK´N ROLL" - VÁRIOS (Deck)
A trilha de Wood & Stock - Sexo, orégano e rock´n roll (desenho de Otto Guerra baseado - opa - nas histórias em quadrinho de Angeli), segundo testemunhas, está longe de ser melhor que o filme - digo "segundo testemunhas" porque, por falta de tempo, nem eu mesmo pude ainda assistir. Mas diverte bastante, como tem acontecido com várias trilhas de filmes nacionais recentemente lançadas. E ainda serve como momento histórico bastante interessante. Quantas vezes na sua vida você pôde pegar o encarte de um CD lançado por uma gravadora de grande porte (no caso a Deck Disc) e ler lá: "fonograma cedido pela Baratos Afins?". Foi a veterana gravadora independente paulista que forneceu os fonogramas da banda alagoana Mopho. Até fonogramas publicados na revista-CD Outracoisa, de Lobão, aparecem, já que Arnaldo Baptista pinta no CD tocando sua versão para "Woody Woodpecker", um dos temas do Pica-Pau (aquela do "everybody thinks I'm crazy"...).
A história dos dois velhos hippies é muitíssimo bem contada em CD, com músicas de artistas antigos e novos. Júpiter Maçã é um dos mais ativos da trilha, servindo de música de fundo em vários momentos, com músicas de momentos diferentes de sua carreira. Tem várias de A Sétima Efervescência, como "The freaking Alice (Hippie Under groove)", quase uma lição sobre cogumelos psicodélicos, e "Querida Superhist x Mr. Frog", mas também tem a maravilhosa "A marchinha psicótica de Dr. Soup", herdeira direta da psicodelia de Ronnie Von e das marchinhas ingênuas de Abílio Manoel - isso sem falar no hino "Um lugar do caralho". Rita Lee, que faz a voz da Rê Bordosa - ressucitada especialmente para o filme, já que o quadrinista Angeli matou a personagem em 1987 - aparece com duas faixas de seu primeiro LP solo, Build up, a engraçada "Hulla-Hulla" e a gospel-irônica "Eu vou me salvar".
Entre as outras surpresas do CD, encontram-se os alagoanos do Mopho, elogiados pelo próprio Rogério Duprat durante uma entrevista - a balada triste "Quando você me disse adeus" emociona e encanta no meio de um disco que tem a descontração como mola mestra. "Ferro na boneca", do primeiro LP dos Novos Baianos, É ferro na boneca (1970) vem para mostrar que Moraes, Galvão, Baby & etc não faziam apenas samba-rock-choro - o som é pesado, com guitarras, gritos psicodélicos a la Tropicália, etc. "Um Oh! e um Ah!", de Tom Zé é o lado tropicalista brincalhão (mais até do que experimental) do CD. E boa parte desses fonogramas nem sequer teria ido parar aí se não fosse o crescente hábito dos fâs de pedras obscuras do rock nacional, de estar sempre trocando mp3 e baixando discos desconhecidos da internet. Pois é... Os "ladrões" de música têm muito a ensinar, até mesmo ás grandes gravadoras.
Ricardo Schott - Discoteca Básica
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