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"É SÓ CURTIR" - A BOLHA (Som Livre)

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O rock setentista tem sido responsável pelos mais lastimáveis "revivals" dos últimos anos, do que são exemplos "zumbis" de Credence Clearwater Revival, Deep Purple ou mesmo The Doors, que perambulam pelas periferias do primeiro (?) mundo. Um pouco, talvez, pela linguagem do "hard rock", que tornou-se mais "datada" do que qualquer outro estilo do rock mais moderno.
Daí, quando se falou na "volta" da lendária Bolha, a cavaleiro do filme "1972", de José Emílio Rondeau e Ana Maria Bahiana, imaginou-se que o fenômeno poderia acabar se repetindo em terras tupiniquins. Mas, diferente disso, em 'É só Curtir', a "velha" Bolha manteve acesa o seu espírito inovador original, que fez da banda uma das mais importantes do rock brasileiro de todos os tempos.
O quarteto – Renato Ladeira, Pedro Lima, Arnaldo Brandão e Gustavo Schroeter – produziu um disco atual, com timbragens modernas, mas fiel à sonoridade original da banda, dona de uma profunda identidade à sua época. Uma operação difícil, mas que, ao final faz justiça à trajetória da banda que deixou os palcos em meados dos anos setenta, depois de dois discos gravados e alguns singles.
Mas, o mais importante de 'É Só Curtir' é o resgate de um rico repertório que, ou nunca foi registrado em disco, ou ficou perdido em singles, como a rara e genial 'Sem Nada', lançada em compacto, em 1971. Canções inéditas como 'É Só Curtir', 'Não Sei' e 'Cecília', entre outras, que fizeram parte da vida da banda e fãs em memoráveis shows, agora ganham vida, perenidade.
Pelas mãos do quarteto, formado por quatro músicos talentosos e experientes, as músicas ganharam "atualidade", sem no entanto perder o espírito original – algo difícil de se alcançar. O resultado final, portanto, é um disco que, tirando a desnecessária e deslocada 'Você Me Acende', pode ser ouvido entre um Wolfmother e um Cream reativado. E que dá até vontade de "curtir" um show da banda por ai...

* Fernando Rosa é editor de Senhor F