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| Bandas Independentes da região ganham espaço no exterior |
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| Escrito por Neto |
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Grupos fazem turnês e participações em festivais na Europa e EUA atuando fora do eixo RJ-SP Especial para EPTV.com - Fabiana Paula As bandas independentes chamam cada vez mais a atenção da mídia e seu trabalho ganha adeptos com a velocidade que um upload é feito no Myspace e novas músicas são divulgadas nas redes sociais. O ano de 2009 foi marcado por várias discussões em torno da disseminação do MP3 por programas compartilhadores de arquivos, mas o fato é que a internet foi um instrumento decisivo para a divulgação da música independente no país e fora dele. Reflexo disso é o número crescente de grupos brasileiros convidados para participar de festivais internacionais ou integrar o quadro de artistas em gravadoras estrangeiras. Novos eixos Aquela velha história de que para ser bem sucedida uma banda precisa fazer parte do eixo Rio-São Paulo se torna mais distante cada vez que vemos grupos como o Pale Sunday, da pequena Jardinópolis, na região de Ribeirão Preto, lançar seu mais recente EP por um selo norte-americano, ou o Instiga, de Campinas, ser convidado para se apresentar no SXSW, ou ainda ver os Dead Rocks, de São Carlos, voltarem de sua terceira turnê pela Europa, com todos os custos pagos pelos shows. Mas o reconhecimento no exterior, conquistado exclusivamente por mérito desses músicos, não impede que muitos deles passem despercebidos pelo grande público e às vezes não encontrem espaço para se apresentar em suas próprias cidades. Formado no fim dos anos 90 pelos amigos Luiz Gustavo de Paula e Sineval Almeida, o Pale Sunday pode parecer tímido nas apresentações ao vivo, mas suas belas canções inspiradas em bandas como Teenage Fanclub e Jesus and Mary Chain, chamaram a atenção da gravadora norte-americana Matinée Recordings, que em janeiro de 2010 lança o EP “Shooting Star”, terceiro trabalho do grupo assinado pelo selo. EP de 100 cópias O contato com a gravadora foi feito depois do lançamento de “Everything Starts When you Smile”, um EP de quatro músicas que teve apenas 100 cópias prensadas. O primeiro trabalho com a Matinée, “A Weekend With Jane”, veio em 2003, seguido de convites para participar de duas coletâneas da gravadora e do álbum "Summertime?", em 2005. Para o guitarrista Sineval, a vantagem de lançar um álbum no exterior é a divulgação feita pela gravadora. “O disco acaba sendo resenhado pelo mundo todo. Existem mais pessoas que conhecem Pale Sunday no Japão que no Brasil, por exemplo”, afirma. Em 2007, o grupo decidiu encerrar suas atividades, mas dois meses depois, com a entrada de Tiago Fuzz na guitarra, e Gustavo Az, na bateria, o Pale Sunday fez algumas apresentações com a nova formação e deu início ao trabalho que resultaria no EP “Shooting Star”. Irreverentes Ao contrário do Pale Sunday, que compõe músicas somente em inglês, o Instiga, de Campinas, adotou o português como língua oficial da banda e aposta em letras irreverentes com influências de artistas independentes nacionais, como os paulistanos do Pélico, Bazar Pamplona, Rafael Castro e Pullovers. Com 8 anos de estrada, o trio formado por Christian Camilo, Gabriel Duarte e Sérgio Lombardi, tem três álbuns lançados, todos independentes. O mais recente, “Tenho uma Banda”, de 2008, recebeu verba de financiamento público. Para o vocalista Christian Camilo, “a língua não é barreira pra música” e a maior dificuldade em conseguir apoio cultural no Brasil parte da falta de um bom projeto proposto pelas bandas. O grupo que já fez parte da programação da rádio norte-americana Woxy e foi o único representante da América do Sul a ficar entre os 20 finalistas no concurso “The Next Big Thing”, da BBC de Londres em 2007, foi convidado para participar da edição de 2010 do South by Southwest, um dos principais festivais de música independente na atualidade, com sede em Austin, no Texas. Rede social A oportunidade de fazer parte das atrações do SXSW surgiu por meio do site Sonicbids, rede social remunerada, que promove o contato direto com produtores de centenas de festivais de música em todo o mundo. Segundo Christian, a produção do festival cobre os gastos com estadia e alimentação. “A gente deve conseguir apoio do governo ou de patrocinadores para pagar a viagem”, explica. O vocalista, que também produz uma festa de música independente em Campinas, a Rock’n’Beats, se mostra otimista com o atual cenário nacional, mas acredita que faltam bandas mais engajadas e produtores interessados no segmento. “Quando penso em melhores bandas, penso em bandas que além de serem boa artisticamente são ativas na cena local, seja produzindo shows, escrevendo em blogs e twitters, fazendo cartazes, etc.”. De olho nos festivais internacionais, o baterista da banda Dead Rocks, Marky Wildstone, viajou para a Europa em 2003, onde fez contato com vários produtores de eventos culturais e associações artísticas. “Daí até a primeira turnê no exterior foi apenas uma questão de manter a qualidade da banda e continuar o trabalho”, comenta. Com 7 anos de carreira, o trio são-carlense de surf music formado por Marky, Johnny Crash e Paul Punk traz na bagagem, além dos inúmeros shows pelo país, apresentações na Argentina, França, Bélgica, Alemanha, Itália e Inglaterra. O último trabalho, “One Million Dollar Surf Band”, de 2008, lançado pelo selo Monstro Discos, foi mixado por Jack Endino, que já produziu álbuns para o Nirvana e Mudhoney, entre outros. Recém chegado da terceira turnê pela Europa, Marky conta que atualmente todos os custos das viagens são pagos com o cachê que a banda recebe pelos shows. “Na primeira turnê chegamos a investir as passagens para poder abrir as portas, mas atualmente conseguimos pagar tudo com nosso trabalho e ainda voltar com um pouco de dinheiro, pois além dos cachês, vendemos nossos produtos nos shows: CDs, camisetas, broches, etc.”, explica o baterista. Planos Assim como o Pale Sunday e Instiga, os integrantes do Dead Rocks conciliam as profissões individuais com as atividades da banda. “A maioria dos shows são nos finais de semana e quando ocorre em outro dia, pedimos folga do trabalho e depois repomos a falta. Para grandes turnês tiramos férias”. Para 2010, o trio planeja fazer uma turnê pela América Latina e já tem convites para tocar no México, Canadá, EUA, Europa, Austrália e Japão. O próximo álbum, que recebeu o título provisório de “Bang Bang Shoot Shoot” será lançado em março, em formato vinil e CD. Conheça as bandas: |



