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| Saindo do forno |
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| Escrito por Alysson Fernandes |
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Pornopopéia Meu autor favorito tá de volta na praça. Após 24 anos sem escrever um Romance, Reinaldo Moraes acaba de desovar uma bíblia recheada da mesma prosa fuderosa que o consagrou em 1981 com o clássico "Tanto Faz". Vejam o que andaram dizendo por ae: Quando Reinaldo tava escrevendo esse livro, a gente se encontrava e ele ficava me narrando suas angustias. Ele me dizia que eu era um dos seus interlocutores. Era tipo assim, ele tava escrevendo determinado trecho do romance e pensava: "Acho que o Marião vai gostar dessa parte" ou então "Porra, o Marião vai odiar esse trecho". Coisas do tipo. Era um romance de 1.000 páginas. Depois de um processo longo e acredito que muito doloroso, Reinaldo conseguiu enxugar para 445 páginas. Na minha opinião, apesar de ser ainda assim, um calhamaço, tá enxuto pra caralho. Pra mim, não me sobra nada, aliás, pelo contrário, é o tipo de livro que a gente lê devagar, porque não queremos que acabe. Já disse e repito: é o livro do ano. Reinaldo voltou à velha forma de "Tanto Faz" e até arrisco dizer que é ainda melhor que o nosso clássico de juventude, pois "Tanto Faz" é o nosso "Apanhador do campo de Centeio", muito mais putanheiro, é claro, porque afinal é Reinaldo Moraes. Então é claro que tem muita putaria, muita droga e até algum rock and roll. Os mais afoitos e rasteiros já insistem numa estética beat ou bukowskiniana, etc. É claro que Reinaldo leu todos os caras e foi influenciado por eles. Inclusive traduziu "Mulheres" do velho Buk, mas o seu estilo é único. Enquanto Bukowski é seco e direto, Reinaldo se perde em digressões o tempo inteiro. Mas em nenhum momento ele é chato. Pelo contrário, você lê com imensa satisfação e prazer. E hoje ele lança o livro na Mercearia São Pedro. Vou lá dar um abraço no canalha e repetir pra ele o que já disse da outra vez que o encontrei: "Você conseguiu, filho da puta!" Mário Bortolotto O novo livro de Reinaldo Moraes é um corpo vivo, e escroto. Uma pereba literária, uma lufada de oxigênio carregado de vícios e CO2, caramba! O Reinaldão escreveu um “Ulisses” da retro-xavasca. Trouxe Dublin para dar umas bandas na rua Augusta. E, engraçado – vejam só como ele é um grande ilusionista - chegou uma hora que eu até acreditei que elas, as primas, haviam voltado ao métier, que estavam lá na esquina da Peixoto Gomide disputando o espaço com os emos e os carecas gays, até nisso Reinaldo Moraes me fez acreditar. Se as putas não tivessem ido embora por falta de clientes & romantismo, e se não fosse a alta literatura a me enganar, eu bem que pagava um boquete pra essa Pornopopéia. Marcelo Mirisola Então é isso. Não preciso falar mais nada. |




