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Relato do dia 17 de julho.
Por: Fábio Fantini
Desde a ultima “Cobertura Beerock” protagonizada pelo grande Tchitcho fiquei com uma pulga atrás da orelha: se ele faz, porque eu não? Então vamos lá! Aqui é o Fabinho e esse vai ser o primeiro (de muitos, espero) relato de uma trip da galera do coletivo (leia-se: coLÉtivo, na voz impagável do Arthur-Cabrueira). Dessa vez, o destino é Serrana – Capital Mundial do Ativismo Caipira e Punk Canavieiro. Eita povo que gosta de uma cana! O pessoal que conhece a gente sabe do caso de amor da galera de Guaxupé com aqueles visionários-operários da gi-gan-tes-ca Serrana. O Caipiro Rock é um evento anual que premia o trabalho incansável da galera do “Parquin”. O CECAC (Centro de Cultura e Ativismo Caipira) é uma organização coletiva que invadiu uma escola abandonada e promove uma alternatividade fuderosa. Já que não dá pra ir todos os dias do fest, o sábado foi a melhor escolha. A primeira notícia adversa foi que um dos navegantes estaria impossibilitado de viajar. O famoso Neto (vulgo Gen) estava com um problema de saúde – entre os prováveis diagnósticos: infecção de garganta ou até uma caxumba. Dizem as más línguas que o menino saiu suado de debaixo do cobertor, usando apenas meia e cueca, e foi até o carro na garagem. Menos um! Com a tripulação desfalcada, lá se foram os beerocks. Aquela passagem rotineira pelo posto de combustível: água, óleo, gasolina, pneu e, é claro, algumas cervejas para os passageiros. Desde a queda de uma ponte perto de Cajuru, a rota para Serrana foi modificada para Itamogi. O caminho alternativo é bem mais bonito. Dentre nossas superstições, o Carcará sempre é sinal de boa viagem; dessa vez ele foi confundido com um gavião-preto – sinais são sinais. Em Itamogi, aquela parada já clássica no “posto da saída” para pegar mais uma gelada e confirmar a rota: direita-direita-esquerda. Beleza! Infelizmente, nosso piloto, num lapso de memória, resolveu mudar de direção... alguns quilômetros a mais e uma passagem rápida por Cajuru - já disse que não importa o destino, sempre vamos passar por Cajuru??? Então... No meio de canaviais, entre conversas sobre rock, relevo e classificação das aves (um pombo não é um pássaro) acertamos o caminho e rumamos para o Caipiro. Primeiro alerta: a luz de temperatura do motor acendeu. Já na cidade, um clássico: Perdidos em Serrana Pt. IV. Não sei explicar, mas sempre nos perdemos naquelas ruas perto do Parquinho. Nada muito grave, mais alguns minutos de atraso e logo escutamos o barulho da distorção. Primeira impressão: Porra, o negócio cresceu! Chegamos nos últimos acordes do Flicts (deu pra ouvir o “tchau”). O lance tava rolando na rua e dessa vez tinha um palco profissa e som de primeira. Parabéns para a organização. Intervalo é hora de rever a galera, prosas, cervejas e rango. O Douglas (vulgo Di) faz melhor esse lance de relações públicas. Quando olho pra trás, lá está ele todo entrosado com as Aeromoças e Tenistas Russas (tudo marmanjo), o pessoal do Independência ou Marte e mais uma pá de gente de coletivos. Charme Chulo no palco! Rapaiz, esses caras misturam viola caipira com rock’n roll. O resultado é maravilhoso. Show du baralho! Difícil ficar parado. Um dos pontos altos da apresentação foi uma versão country para o hino ramônico Sheena is a Punk Rocker. Precisa dizer que a galera foi ao delírio? Charme Chulo é o tipo de banda muito agradável de se ouvir, mas que mostra todo seu poder no palco. Vocês precisam experimentar a energia desses caras! Depois de uma pequena pausa, o time da casa entrou em campo: Íbis! Em Serrana, eles já saem ganhando de 3 a zero... golear fica fácil. Vale lembrar que o guitarrista é o lendário Ricardo Brasileiro, comandante daquela tropa de sonhadores e líder espiritual; e a vocalista principal é a Vanessa, a mina que nas horas vagas trabalha na barraca do bar. Tem as moral de trampar igual esse povo??? Serrana é foda! Mais um intervalo e a rotina (deliciosa) continua: cervejas, prosas e rolê pelas vizinhanças. Chegou a hora da banda principal (como se isso importasse alguma coisa num lugar como aquele, onde todo mundo é tratado como igual e estão todos pela mesma causa). É o Dead Fish gente!!! A veia punkeira serranense não negou fogo: as músicas são cantadas a plenos pulmões, gritos, mosh pits, stage jumps e tudo que um show hardcore tem de melhor. Os caras possuem uma legião de fãs naquela cidade e o show foi fuderoso. Enfim, o segundo dia do Caipiro Rock foi nota 10! Parabéns pro Brasileiro e toda sua turma! Antes, uma pechinchada na banquinha me valeu 2 discos do Muzzarellas e o caminho de volta se colocava a nossa frente. Até aí, tudo bem. O lance é que o carro não estava nos seus melhores dias e começaram os problemas. Depois de uma parada no “posto da saída” de Serrana para “esfriar” o motor, pé na estrada! Me fez lembrar uma música do Metallica: Jump in the Fire! Então... vamos nessa! Discão novo do Muzza no player e uma prece pra sorte. Andamos 70 km e mais uma parada para esfriar o motor. Ninguém estava tenso ou preocupado - a noite estava maravilhosa e ficamos parados num lugar ermo contando as estrelas cadentes. Mais um trecho percorrido e chegamos em Paraíso. Não dava mais, já estava cheirando queimado dentro do carro. Paramos no “posto da entrada” e o nosso piloto Alysson (vulgo Mi) teve a brilhante idéia de ligar para a empresa do seguro. Massa demais! Depois de duas horas, estávamos vindo para Guaxupé em um táxi e o Celta (nossa barca de muitas trips) em cima de um caminhão de guincho. Deus abençoe os postos de gasolina e as companhias de seguro! Perdemos o show das Aeromoças (uma pena), mas foi uma grande noite, um grande festival, muita diversão, muita atitude e muito... muito Rock’n Roll!!!! Fica a mensagem final dos Muzzarelas: We Rock You Suck!!!
fABiN
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