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| Calanca fala sobre o SP Metal |
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![]() Luiz Calanca, idealizador e proprietário do selo/loja Baratos Afins foi entrevistado recentemente pelo portal Whiplash. Segue abaixo, trecho da entrevista em que ele fala sobre um dos grandes clássicos do metal nacional, os discos da série SP Metal.
O lançamento dos dois volumes da coletânea “SP Metal” nos anos oitenta foram fundamentais para a popularização e a consolidação da música pesada no Brasil. Conta pra nós como foi todo o processo na época, com escolha das bandas, lançamento e repercussão do disco ao longo dos anos. A escolha foi muito natural. Acabei escolhendo as bandas que estavam mais envolvidas com o movimento. Nesta época eu andava com um gravador de rolo por todo lado e registrava tudo. Abríamos espaços para tocar no bico do coturno. Nesse período o Antônio Celso Barbieri era um cara que empresariava essas bandas, arrumando shows nos espaços mais inimagináveis possíveis. Qualquer buraco que tinha uma tomada lá estávamos nós. O espaço maior era talvez a Praça do Rock, no parque da Aclimação. Tinha show todo último domingo do mês, e as reuniões para escolha das bandas que iriam tocar ou eram feitas na Baratos Afins ou no Jornal do Cambucí. A escolha era honesta e justa, tanto é verdade que o espaço da Praça quem primeiramente conquistou foi o Dalam Júnior, da banda Mercúrio, que também tocou lá e ficou de fora do disco. A Praça começou a atrair o grande público e, consequentemente, o interesse de patrocinadores. Uma companhia já estava vendendo dois caminhões cheios de cerveja e, não contente, mudou a praça para um espaço maior, que era o Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, contrataram bandas já famosas e passaram a pagar cachê (os fundadores e idealizadores nunca ganharam nada). Bandas como a Gang 90, que fazia sucesso na novela da Rede Globo, a “Perdidos na Selva”. No segundo e último evento da nova praça teve o episódio em que a platéia quebrou todo o equipamento devido a não apresentação da banda Made In Brazil. Tudo porque a produção não tinha equipamento de palco e eles se desentenderam com a banda Salário Mínimo, que não quis emprestar a bateria. Voltando ao disco, no volume dois teve a desistência de uma banda da pesada que faria o Sepultura soar como uma orquestra sinfônica, o Cérbero, e eles neste período já estavam vendendo os instrumentos que tinham para ir para os EUA. O convite foi feito e eles aceitaram, mas entre o projeto e a realização de um disco levava muito tempo e eles acabaram dando lugar ao Korzus (só para lembrar, eles estão gravando um álbum com um repertório da época e também deixaram um registro ao vivo gravado no Rainbow Bar). O nosso disco “SP Metal Volumes 1 e 2” não tinha muita qualidade técnica, ninguém tinha boas guitarras nem amplificadores, eram aquelas carcaças de velhos Gianinnis Duovox, quase todos mexidos e remexidos pelo Hélcio Aguirra, que era um tarado por válvulas e talvez o único cara naquele momento que sabia consertar aquelas carcaças oxidadas. Era muito comum amplificadores queimarem a cada show. Com o disco na praça fizemos muito barulho. Depois disso todo mundo era “headbanger”, até a Rede Globo virou “metaleira”, que era como eles nos tratavam, e nos taxaram de “Os Filhos do Rock In Rio”, que veio bem depois, junto com tantos outros produtores, uns legais outros oportunistas. Comecei a perceber que o pessoal estava me usando, gozando com o meu pau, então desisti de tudo e fui fazer o jazz do Bocato e a MPB do Itamar Assumpção, e virei o traidor do movimento. Só voltei a gravar rock tempos depois, convertido pela banda The Krents, que eram uns garotos que faziam um rock bem endiabrado e energético, com uma levada para o psychobilly. Fonte: Whiplash |




